Eu estava escalado como plantonista e armeiro noturno, infelizmente minha memória não vai poder detalhar o dia e o mês, mas acredito que o ano era 1987. Naquela época era um serviço bem solitário, não existia um rádio para comunicação com as viaturas, não existia celular, não tinha televisão e o que havia para preeencher o turno era o rádio. A viatura, uma PA, saía para a ronda, os guardas para os postos e eu ficava sozinho; completamente sozinho não, pois havia dois postos próximos, no Demat e um mais distante no Edif.
Em uma noite e em um destes momentos da noite em que a única companhia era o rádio e não tinha mais relatório para preencher, eu costumava varrer parte da inspetoria, nestas andanças percebi um vulto passar em frente a porta de entrada da ADM Regional, detalhe, a porta era de vidro, armação de ferro, ou seja, era só quebrar o vidro e entrar na IR.
Quando confirmei que realmente alguém estava andando pelo local e não era GCM, meu primeiro pensamento era de que iam roubar as armas e comecei a agir para enfrentar a situação.
Para os novos integrantes, o que vou descrever parece algo de ficção, mas naquele tempo, como escrevi antes, não havia radiocomunicador e nem celular, para chamar uma viatura de ronda, a gente ligava para os postos e falava que se a vitura passasse por lá, ela deveria voltar para a IR, assim eu fiz, creio que liguei para uns dois postos.
Garantido o pedido de apoio e não pude ligar muito , pois a movimentação pareceu ter aumentado, municiei quatro revólveres, coloquei munição nos bolsos, joguei longe a chave do cofre e me posicionei na escada que levava ao andar de cima da administração e que ficava na penumbra, dali fiquei esperando o ataque com a arma em punho desejando que a viatura passasse por um dos postos avisados.
Do meu ponto de observação vi que era um homem corpulento que estava andando, cogitei que poderia ser um homem de rua, alguém perdido, um bêbado, mas estava preparado para o pior.
Em dado momento, os GCM´s que estavam no Demat saíram de lá para conversarem comigo e falaram para o estranho parar e se identificar, neste momento, agradecido a Deus pelo apoio, abri a porta para enquadrar o estranho, mas ele saiu correndo antes de que a porta fosse aberta; ato contínuo saí no encalço do invasor e na Av Otaviano alves de Lima, parei um veículo, se não me engano um caminhão baú para cobrir a área mais rápido; resumindo, desci do caminhão na altura onde hoje é um condomínio e um McDonald's e ali conseguir encontrar o caboclo tentando se esconder nos arbustos da parede do local.
Eu não lembro qual dos GCM's chegou depois, acho que era o Anisío, o outro era o Avarese que ficou na IR para não ficar abandonada.
Na finalização veio uma viatura da PM e o rondante, o Farias, que conduziu a ocorrência. O criminoso agora identificado, estava querendo furtar gasolina dos veículos que lá na Adm Regional estavam estacionados.
Foi um susto, mas tudo saiu bem.



