quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Minha primeira perseguição

 Eu estava escalado como plantonista e armeiro noturno, infelizmente minha memória não vai poder detalhar o dia e o mês, mas acredito que o ano era 1987. Naquela época era um serviço bem solitário, não existia um rádio para comunicação com as viaturas, não existia celular, não tinha televisão e o que havia para preeencher o turno era o rádio. A viatura, uma PA, saía para a ronda, os guardas para os postos e eu ficava sozinho; completamente sozinho não, pois havia dois postos próximos, no Demat e um mais distante no Edif.

Em uma noite e em um destes momentos da noite em que a única companhia era o rádio e não tinha mais relatório para preencher, eu costumava varrer parte da inspetoria, nestas andanças percebi um vulto passar em frente a porta de entrada da ADM Regional, detalhe, a porta era de vidro, armação de ferro, ou seja, era só quebrar o vidro e entrar na IR.

Quando confirmei que realmente alguém estava andando pelo local e não era GCM, meu primeiro pensamento era de que iam roubar as armas e comecei a agir para enfrentar a situação.

Para os novos integrantes, o que vou descrever parece algo de ficção, mas naquele tempo, como escrevi antes, não havia radiocomunicador e nem celular, para chamar uma viatura de ronda, a gente ligava para os postos e falava que se a vitura passasse por lá, ela deveria voltar para a IR, assim eu fiz, creio que liguei para uns dois postos.

Garantido o pedido de apoio e não pude ligar muito , pois a movimentação pareceu ter aumentado, municiei quatro revólveres, coloquei munição nos bolsos, joguei longe a chave do cofre e me posicionei na escada que levava ao andar de cima da administração e que ficava na penumbra, dali fiquei esperando o ataque com a arma em punho desejando que a viatura passasse por um dos postos avisados.

Do meu ponto de observação vi que era um homem corpulento que estava andando, cogitei que poderia ser um homem de rua, alguém perdido, um bêbado, mas estava preparado para o pior.

Em dado momento, os GCM´s que estavam no Demat saíram de lá para conversarem comigo e falaram para o estranho parar e se identificar, neste momento, agradecido a Deus pelo apoio, abri a porta para enquadrar o estranho, mas ele saiu correndo antes de que a porta fosse aberta; ato contínuo saí no encalço do invasor e na Av Otaviano alves de Lima, parei um veículo, se não me engano um caminhão baú para cobrir a área mais rápido; resumindo, desci do caminhão na altura onde hoje é um condomínio e um McDonald's e ali conseguir encontrar o caboclo tentando se esconder nos arbustos da parede do local.

Eu não lembro qual dos GCM's chegou depois, acho que era o Anisío, o outro era o Avarese que ficou na IR para não ficar abandonada.

Na finalização veio uma viatura da PM e o rondante, o Farias, que conduziu a ocorrência. O criminoso agora identificado, estava querendo furtar gasolina dos veículos que lá na Adm Regional estavam estacionados.

Foi um susto, mas tudo saiu bem.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Antes e Depois

 Olá! Esta é uma página para relembrar e comemorar a passagem dos anos. Caso queira publicar sua foto aqui, envie para o email gc0611@hotmail.com, escrevendo no corpo dele a autorização para eu publicar as fotos.


Paiva Pl.: 0393
                                      

Escala de serviço

 ESCALA DE SERVIÇO

Esta página é para relembrar o primeiro posto em que fomos escalados ou aquele em que mais gostamos de trabalhar. Caso queira participar envie os dados para gc0611@hotmail.com com a autorização para poder publicar.


1986


João Amós Comenius
    Paiva PL 0393
    10:30 às 18:30

Iolanda

 


Durante a minha vida na GCM, conheci muitas pessoas de caráter, de energia e de uma força moral exemplar, uma em particular ficou na minha mente como presença vívida destas qualidades. A GCMF Iolanda, com quem trabalhei pouco tempo comparado ao meu tempo na ativa. Eu era rondante e ela era plantonista. Eu já a vi nervosa, já a vi chateada e já a vi triste, no entanto, em nenhum destes momentos o serviço dela foi influenciado por estas emoções, muito menos afetou o tratamento que dispensava aos companheiros; junto com a GCMF Rosana formavam um equipe exemplar, destas que o rondante fica tranquilo sabendo que o plantão estará em ordem, limpo, documentação em dia.

Apesar de não sermos amigos de um visitar a casa do outro, nutríamos um pelo outro, um respeito humano e profissional, na parte humana ela participou ativamente da organização do meu casamento, cuidando de detalhes de modo voluntário, inclusive resolvendo um problema que eu nem soube que ocorreu a não ser depois da cerimônia e pude agradecer a ela depois durante a festa.

A GCM Iolanda era uma profissional inserida em uma pessoa humilde que depositava uma confiança em seus superiores hierarquicos, respeitando ainda mais os que a ela mereciam respeito e aos demais apenas o tratamento formal previsto em regulamento.

Lembro que conquistei a confiança dela quando percebi que ela precisava da companhia de sua parceira de posto, a quem consegui remanejar para trabalhar com ela, lembro que não foi o fato de conseguir o remanejamento, mas o de perceber a situação sem que ela precisasse falar e nunca me arrependi de ter feito isto.

Com o passar do tempo a carreira acaba nos afastando e em um momento difícil da minha vida eu soube que ela estava internada, com um tratamento de câncer; neste período eu estava sofrendo sob a primeira crise de depressão que enfrentei, ao receber a notícia de que o estado dela estava se agravando, liguei para ela no hospital, consigo lembrar da voz dela, voz cansada, mas ainda carregada do companherismo profissional, da GCMF dedicada e profissional, infelizmente abalada pela doença.

Infelizmente, ela partiu.

Ficou a lembrança daquela pessoa em quem eu confiava, pessoa e profissional que fazendo falta aqui na Terra, com certeza está enchendo de alegria o céu.

Iolanda Aparecida Estracero; Pl 0902 - Saudades! Um dia vamos nos reencontrar.

Paisagens

 

Algumas pessoas na Guarda passam e passaram anos no mesmo posto ou na mesma inspetoria, outras, como eu, rodaram praticamente todos os tipos de posto e bairros de São Paulo; apesar de parecer, não pretendo falar sobre se um guarda deve ou não permanecer em um só lugar e dele conhecer tudo, mas quero falar da minha experiência em trabalhar em quase todos os cantos da cidade, ressaltando uma faceta das constantes mudanças.

Paisagens.

Para quem assistiu ao filme Forrest Gump, deve lembrar de um trecho do filme onde o personagem fala dos lugares por onde passou e vemos belas imagens e de certo modo, isto parece muito com minha vida profissional. Trabalhei em locais onde sempre que o momento permitia, eu dedicava uns momentos de contemplação em uma paisagem.



O pôr do sol no Hospital José Soares Hungria , em Pirituba, era um dos mais bonitos que eu já vi; eu trabalhava 12X36 de dia, penso que foi nos idos de 1986 ou no máximo começo de 1987, bom, dali, no posto, eu podia contemplar como o dia ia morrendo e o céu tomava para si cores diferentes, ora o azul era tomado por tons vermelhos, ora por tons azuis, uma tela degradê. Para quem não conhece este hospital, ele está situado no alto de uma colina, por assim dizer, o que permitia a visualização de uma extensa área daquele bairro.

Na foto acima dá pra se ter uma ideia da visão que se tinha a partir do PS; este céu azul se enchia com o sol se pondo e tons avermelhados, na maioria das vezes, dando uma vida aquele bairro que apenas palavras, por mais inspiradoras que sejam, não conseguem imprimir a beleza daqueles momentos

Outro cenário que eu gostava de ver, já trabalhando à noite em guarnição, era quando a noite ia terminando e o dia ia começando, é o período conhecido por crepúsculo, uma transição das trevas para a luz, geralmente acompanhado pelo silêncio do bairro

O Parque Ibirapuera já é bonito sem que seja necessária mais alguma explicação, mas quero destacar os locais onde a névoa noturna fazia parecer que o ambiente era fruto de uma cena de filme, contudo, era a natureza agindo sozinha, com a névoa, com os animais noturnos aqui e ali.

Tem cenários que eu lembro devido a cenas tristes, como no caso de invasão de terra, de desocupação de terreno ou ocorrências, mas de modo geral, principalmente quando estava na Ronda Geral e tinha que cruzar a cidade para cobrir os locais de ronda, vi montanhas, campos, parques sob diversos matizes: ora sob chuva, ora sob forte luz do sol, neblina, fumaça etc.

Talvez a que mais retenho seja a paisagem do meu primeiro posto na IRFO, um complexo formado por uma EMEF, uma EMEI, uma creche e um Posto de Saúde - PAM, na verdade o local era uma dor de cabeça para o policiamento, ficava abaixo do nível principal de uma avenida e praticamente não tinha saída o que nos deixava perigosamente expostos; mas apesar disto, chegar até lá e ver aqueles postos com as vidas humanas dependendo de nós trazia uma força interior e uma determinação, a gente era responsável pelas vidas e pelo desenvolvimento seguro dos serviços ali. Atrás da EMEF começavam as matas com um monte praticamente vertical, havia um riacho entre o muro da escola e na parte da tarde era claramente visível o frio chegando através de uma névoa branca, nunca tive problema com frio, talvez por isso sempre achava bonito ver esta névoa descendo, se deslocando da mata em nossa direção, em breve o frio aumentava e a noite se instalava. Teve cenas interessantes nesta escola, como em um dia quando eu estava chegando no posto e lá do fundo veio uma porca maior que um pastor alemão médio com uns cinco leitãozinhos andando atrás dela.

Enfim, nestes anos de serviço foram paisagens e cenas que me acompanham e que fizeram e fazem eu me sentir muito bem!

 

Minha primeira perseguição

 Eu estava escalado como plantonista e armeiro noturno, infelizmente minha memória não vai poder detalhar o dia e o mês, mas acredito que o ...