Algumas pessoas na Guarda passam
e passaram anos no mesmo posto ou na mesma inspetoria, outras, como eu, rodaram
praticamente todos os tipos de posto e bairros de São Paulo; apesar de parecer,
não pretendo falar sobre se um guarda deve ou não permanecer em um só lugar e
dele conhecer tudo, mas quero falar da minha experiência em trabalhar em quase
todos os cantos da cidade, ressaltando uma faceta das constantes mudanças.
Paisagens.
Para quem assistiu ao filme Forrest Gump, deve lembrar
de um trecho do filme onde o personagem fala dos lugares por onde passou e
vemos belas imagens e de certo modo, isto parece muito com minha vida
profissional. Trabalhei em locais onde sempre que o momento permitia, eu
dedicava uns momentos de contemplação em uma paisagem.
O pôr do sol no Hospital José Soares Hungria , em Pirituba, era um dos mais bonitos que eu já vi; eu trabalhava 12X36 de dia, penso que foi nos idos de 1986 ou no máximo começo de 1987, bom, dali, no posto, eu podia contemplar como o dia ia morrendo e o céu tomava para si cores diferentes, ora o azul era tomado por tons vermelhos, ora por tons azuis, uma tela degradê. Para quem não conhece este hospital, ele está situado no alto de uma colina, por assim dizer, o que permitia a visualização de uma extensa área daquele bairro.
Na foto acima dá pra se ter uma ideia da visão que se tinha a partir do PS; este céu azul se enchia com o sol se pondo e tons avermelhados, na maioria das vezes, dando uma vida aquele bairro que apenas palavras, por mais inspiradoras que sejam, não conseguem imprimir a beleza daqueles momentos
Outro cenário que eu gostava de
ver, já trabalhando à noite em guarnição, era quando a noite ia terminando e o dia ia começando, é o período
conhecido por crepúsculo, uma transição das trevas para a luz, geralmente
acompanhado pelo silêncio do bairro
O Parque Ibirapuera já é bonito
sem que seja necessária mais alguma explicação, mas quero destacar os locais onde
a névoa noturna fazia parecer que o ambiente era fruto de uma cena de filme,
contudo, era a natureza agindo sozinha, com a névoa, com os animais noturnos
aqui e ali.
Tem cenários que eu lembro
devido a cenas tristes, como no caso de invasão de terra, de desocupação de
terreno ou ocorrências, mas de modo geral, principalmente quando estava na
Ronda Geral e tinha que cruzar a cidade para cobrir os locais de ronda, vi
montanhas, campos, parques sob diversos matizes: ora sob chuva, ora sob forte
luz do sol, neblina, fumaça etc.
Talvez a que mais retenho seja
a paisagem do meu primeiro posto na IRFO, um complexo formado por uma EMEF, uma
EMEI, uma creche e um Posto de Saúde - PAM, na verdade o local era uma dor de
cabeça para o policiamento, ficava abaixo do nível principal de uma avenida e
praticamente não tinha saída o que nos deixava perigosamente expostos; mas
apesar disto, chegar até lá e ver aqueles postos com as vidas humanas
dependendo de nós trazia uma força interior e uma determinação, a gente era responsável
pelas vidas e pelo desenvolvimento seguro dos serviços ali. Atrás da EMEF
começavam as matas com um monte praticamente vertical, havia um riacho entre o
muro da escola e na parte da tarde era claramente visível o frio chegando
através de uma névoa branca, nunca tive problema com frio, talvez por isso
sempre achava bonito ver esta névoa descendo, se deslocando da mata em nossa
direção, em breve o frio aumentava e a noite se instalava. Teve cenas
interessantes nesta escola, como em um dia quando eu estava chegando no posto e
lá do fundo veio uma porca maior que um pastor alemão médio com uns cinco
leitãozinhos andando atrás dela.
Enfim, nestes anos de serviço
foram paisagens e cenas que me acompanham e que fizeram e fazem eu me sentir
muito bem!

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